Eletrobrás gastar US$ 600 milhões com Proinfa por ano.

A Eletrobrás vai gastar US$ 600 milhões por ano, durante 20 anos a partir de 2006, na compra da energia gerada pelos projetos de geração alternativa contemplados pelo Proinfa.
Segundo o presidente da estatal, Silas Rondeau, até 30 de junho a empresa assina os contratos para o inicio das obras dos 115 projetos selecionados para o programa, que além de compra de energia garantida pela Eletrobrás até 2026, terá 70% de financiamento do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES).
“Com esse, programa queremos sinalizar que o Brasil está apostando nas fontes de energia alternativa”, ressaltou Rondeau ontem. Ele informou que a oferta de projetos eólicos e de pequenas hidrelétricas superou a demanda, enquanto os de geração de energia de biomassa não atingiram a cota de 1,100 megawatts inicialmente estabelecidos. Uma repescagem para essa modalidade deverá ser anunciada em outubro, segundo o executivo.
Há um pouco mais de um mês na presidência da estatal, em substituição a Luiz Pingueifi Rosa, Rondeau afirmou que vai continuar a luta do seu antecessor para que a Eletrobrás seja majoritária nos projetos, e volte a ter o papel de indutora da expansão do setor, perdido com as privatizações.
“A partir do momento que saímos do PND (Programa Nacional de Desestatização) caiu a proibição de sermos majoritários, mas agora depende de decisão política e vamos trabalhar para mostrar que liderando projetos vamos atrair outros capitais”, disse.
Segundo ele, a partir de julho, quando a nova regulamenta do setor for implantada, a Eletrobrás e o governo começarão à discutir maneiras de fortalecer a conpanhia e suas subsidiárias na excução dos projetos de expansão.
Outro ponto que precisa de solução, segundo Rondeau, é o futuro da Eletronet, empresa de fibras óticas da Eletrobrás em parceria com a americana AES . A empresa teve sua falência decretada no ano passado, mas continua operando por se tratar de serviço público.
“A AES já disse que não quer a empresa, mas nós não podemos assumir essa dívida herdada, esse é um dos principais problemas que teremos de resolver”, admitiu.
Segundo Rondeau, a sobrevivência da Eletronet está nas mãos dos credores, já que a estatal só aceita negociar se a dívida de R$ 600 milhões tiver um deságio entre 80% e 90%. “Não há como resolver o problema da Eletronet sem esse deságio. Ou é isso ou é a falência”, disse.
A empresa pretende participar de vários projetos na área de geração e transmissão, e entre os principais empreendimentos de geração estão as usinas hidrelétcicas de Belo Monte e Rio Madeira. “Reduzimos Belo Monte para viabilizar o projeto e até o final do ano Furnas entrega o estudo de viabilidade econômica de Rio Madeira, um projeto não exclui o outro”, afirmou, em meio à polémica de que não haveria demanda suficiente para que as duas obras.
A usina de Belo Monte, que será construída no Rio Xingu, no Pará, teve sua capacidade reduzida deli mil megawatts para 5,5 mil megawatts, “mas poderá ter uma segunda etapa no longo prazo”.Já o projeto de Rio Madeira, que previa duas usinas, deverá começar com apenas uma das usinas, informou.

Fonte: Jornal o Valor.