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Balança Aumenta o valor da carne bovina exportada pelo país Vinicius Doria De Brasília |
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As exportações brasileiras de carne bovina se beneficiaram dos bons preços pagos pelos países compradores para acumular recorde no primeiro semestre, confirmou ontem a Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA). Mas os produtores reclamam que o lucro das exportações não chega ao campo. De janeiro a junho, o Brasil embarcou 801,9 mil toneladas para o exterior, 28,6% mais do que o volume exportado no primeiro semestre de 2003. Em receita, o aumento foi de 69%, para US$ 1,08 bilhão. A CNA mantém a previsão de que, no ano, as exportações alcançarão 1,5 milhão de toneladas (US$ 2 bilhões). Apenas no mês de junho a receita com exportações de carne dobrou em relação a junho de 2003 - de US$ 110,8 milhões para US$ 222,3 milhões. Os números confirmaram a avaliação da CNA de que os embargos impostos por Rússia e Argentina, por causa do foco de febre aftosa registrado no Pará, não causariam estragos às vendas. E a carne nacional foi favorecida pelo aumento de 23% nos preços pagos pelos compradores externos. O preço médio da tonelada da carne "in natura" destinada à exportação saltou de US$ 1,7 mil em junho de 2003 para US$ 2,2 mil no mês passado. Em volume, o Egito foi o maior comprador brasileiro neste primeiro semestre. O país africano importou 66 mil toneladas, seguido por Rússia (57 mil) e Chile (52 mil). No caso da carne bovina industrializada, os preços médios subiram 12% em um ano. Mas os números positivos das exportações no semestre não foram suficientes para animar a pecuária de corte. O setor ficou frustrado com a decisão do governo de excluir rações e sal mineral da lista de insumos isentos da cobrança de PIS/Cofins. A taxação desses insumos em 9,25% representará um aumento de 1,3% nos custos de produção do setor, segundo cálculos da CNA. "O veto é inexplicável, estava tudo negociado [entre governo e Congresso]. O produtor não tem como absorver este aumento. Quem vai pagar a conta, claro, é o consumidor", afirmou Antenor Nogueira, presidente do Fórum Nacional de Pecuária de Corte da CNA. Além do aumento da carga tributária, a CNA também está
preocupada com o grau de concentração do setor exportador de carne bovina.
Segundo a entidade, apenas três frigoríficos ( De acordo com estudos da CNA e do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea), ligado à USP, o preço pago pela arroba de boi gordo ao pecuarista caiu 1,54% de janeiro a junho. No período, os custos operacionais aumentaram 3,75%, sem contar com a taxação de PIS/Cofins. Só o sal mineral, que corresponde por 14% dos custos de produção, registrou alta de 7,25% no semestre. |
Fonte: Jornal O Valor