| Alimentos Isenção de PIS/Cofins e aquecimento da economia podem pôr fim à estagnação das vendas Boas perspectivas para as indústrias de arroz e feijão Cibelle Bouças De São Paulo | |
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As perspectivas de crescimento econômico e a isenção da Cofins e do PIS/Pasep prevista na Lei 10.925, publicada ontem no Diário Oficial, deram fôlego novo às indústrias de arroz e feijão instaladas no país. Nas duas áreas, que nos últimos dez anos apresentam oferta e demanda estagnadas, a expectativa agora é de aumento do consumo doméstico de faturamento nos próximos 18 meses. A lei - que zerou as alíquotas incidentes sobre importação e vendas de fertilizantes, defensivos, sementes e mudas, corretivos de solo e inoculantes - foi recebida com otimismo pelos produtores, já que, com o fim da cobrança dos 9,25% de PIS/Confins, recairá sobre as vendas de arroz e feijão só ICMS, que varia de Estado para Estado. A Segundo a Confederação Nacional da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA), a isenção dos tributos deve representar uma economia de R$ 887 milhões aos produtores de arroz e feijão. O valor bruto da produção (VBP) das duas áreas deve atingir R$ 12,7 bilhões em 2004, 9% mais que em 2003. Fábio Silveira, sócio-diretor da
Algumas indústrias, animadas pelos
indicadores macroeconômicos, começam até a apostar
em produtos de maior valor agregado. A própria
Camil lançou este mês uma linha especial de arroz,
voltada para classes A e B. Já a "A expectativa é aumentar as vendas totais em 30% com a linha", diz Storti. A empresa empacota 30 mil toneladas por ano e detém 30% do mercado de feijão no Estado de São Paulo. Embora o controle de resíduos de agrotóxicos seja obrigatório nas cadeias de arroz e feijão, nunca houve investimento em programas de certificação de qualidade e rastreabilidade. Storti diz que o custo com armazenagem, testes laboratoriais e embalagem tornam o feijão 25% mais caro. "São mercados muito concorrenciais, com pouca possibilidade de diferenciação e de demanda inelástica, que não absorve fortes aumentos de preço", diz Fábio Silveira, da MSConsult. Segundo o IBGE, o segmento de feijão reúne 2,12 milhões de produtores e o de arroz, outros 50 mil. Nos dois casos, a maioria é de pequeno porte. Sílvio Porto, diretor de logística e gestão empresarial da Conab, afirma que os produtos devem seguir normas de classificação por variedade, tamanho, percentual de umidade e de resíduos, mas admite que não há fiscalização sistemática nesses segmentos. "Falta certificação de qualidade para arroz, feijão, milho e mandioca". No curto prazo, no entanto, os
números ainda preocupam. De acordo com dados da
Os preços do feijão acumulam queda
de 13% neste mês de julho, e hoje estão em R$ 67 a
saca de 60 quilos em São Paulo. "O consumidor
continua comprando pouco e a sensação que existe
no mercado é de que a demanda diminuiu de 25% a
30% este ano", afirma Marcelo Lüders, diretor da
No caso do arroz, os preços estão estáveis em julho. A saca de 50 quilos está a R$ 31,50 no Paraná e, no Mato Grosso, a saca de 60 quilos está cotada a R$ 33. José dos Santos, analista da Correpar, concorda que a situação é mais favorável para o arroz, já que apenas 30% da produção gaúcha foi comercializada e a safra termina em janeiro de 2005. "A exportação das 25 mil toneladas de arroz pode impulsionar os preços neste semestre", diz. |
Fonte: Jornal o Valor