Banco do Brasil estrutura projeto para financiar hidrelétrica em Goiás
Sergio Lamucci De São Paulo

 

O Banco do Brasil repassou na semana passada R$ 30 milhões para a construção da hidrelétrica Corumbá IV, localizada na cidade de Luizânia, em Goiás. O dinheiro liberado faz parte de uma operação de financiamento de projeto, que foi estruturada pelo BB. Os investimentos totais no empreendimento deverão atingir R$ 457 milhões, dos quais R$ 272 milhões foram financiados - o restante virá de recursos próprios dos acionistas.

O Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) fornecerá os recursos, assumindo diretamente o risco de R$ 232 milhões. O BB se encarrega dos risco dos outros R$ 40 milhões, pois atua com agente repassador do BNDES, afirma João Carlos de Nóbrega Pecego, gerente-executivo da área de negócios estruturados do banco, ligada à diretoria comercial.

Segundo Pecego, o BB deve liberar mais R$ 10 milhões no fim deste ano ou no começo de 2005. Além da análise da viabilidade econômico-financeira do projeto, o BB também atuou para a obtenção das licenças ambientais, diz ele, uma etapa fundamental para que um projeto de uma hidrelétrica saia do papel.

O prazo do financiamento é de 12 anos, com uma carência de 33 meses. O custo ficou em Taxa de Juros de Longo Prazo (TJLP) mais 5% ao ano. Para o terceiro trimestre, a TJLP está fixada em 9,75% ao ano. A usina de Corumbá IV deverá ter capacidade de geração de 127 MW.

Pecego diz que o BB também atuou na estruturação de outros dois grandes projetos de financiamento para hidrelétricas neste ano. Um deles é o da usina de Peixe Angical, localizada no Tocantins, que envolve R$ 1,3 bilhão. O BB liderou a estruturação do projeto. A instituição já repassou R$ 40 milhões, devendo liberar outros R$ 40 milhões no começo de 2005. O outro é o Projeto Ceram, no Rio Grande do Sul, com investimentos totais de R$ 650 milhões, operação também liderada pelo banco. A parte do BB é de R$ 120 milhões, dos quais R$ 40 milhões já foram desembolsados. O restante deve ser repassado no fim de 2004 ou no começo do ano que vem.

Segundo Pecego, o banco tem dado atenção especial a empreendimentos ligados à área de energia. "É uma necessidade do país", afirma ele. Com a expectativa de recuperação mais forte da economia, é crucial que haja investimentos nessa área, diz Pecego, para garantir fôlego à retomada que ganhou força nos últimos meses.

Pecego diz, porém, que todos esses financiamentos de projetos são analisadas criteriosamente do ponto de vista de sua viabilidade econômico-financeira, não constituindo operações subsidiadas. "Elas são analisadas dentro de rigorosas metodologias de avaliação", afirma ele, acrescentando que um uma operação desse tipo leva em geral seis meses para ser concluída.

 

Fonte: Jornal o Valor