Proposta da
UE só daria
US$
720
mi
ao Mercosul
Raquel L.andim
De
Ribeirão Preto
As
cotas
oferecidas pela União
Européia para os produtos agrícolas no acordo de livre comércio que está sendo
negociado com o Mercosul devem gerar um ganho de, no
máximo, US$ 720 milhões.
Se os
pedidos do bloco do Cone Sul fossem atendidos plenamente, esse incremento de
comércio poderia chegar a US$ 2,6
bilhões, de acordo com cálculos realizados pelo Instituto de Estudos do Comércio
e Negociações Internacionais (Jcone).
Na
primeira etapa, ou seja, logo após o inicio da vigência do acordo, o ganho para
o Mercosul seria de US$ 367,7
milhões. Após
a
conclusão da Rodada Doha, o beneficio pode ser ampliado em outros
US$ 352,8
milhões. É
necessário separar o cálculo dos ganhos por conta da insistência européia em
dividir sua oferta em duas etapas: parte logo após o fechamento do acordo e
parte condicionada ao andamento das negociações da Organização Mundial de
Comércio (OMC).
Para chegar a essas conclusões, o Icone trabalhou com as seguintes propostas de
cotas oferecidas pelos europeus: 75 mil toneladas para carne de frango, 11 mil
toneladas para carne suma,
100
mil
toneladas para carne bovina,
1
bilhão de litros de álcool, 700 mil toneladas para milho, 200 mil toneladas para
trigo, entre outros.
Os dois blocos concordaram que as tarifas intracotas serão as mais baixas
consolidadas na OMC para um produto, que é zero no caso da carne de frango e 20%
na carne bovina.
O pedido do Mercosul, contudo, chega a 250 mil toneladas para carne bovina, 40
mil toneladas para carne suma, 315 mil toneladas para carne bovina, 2,4 bilhões
de litros de álcool,
4
milhões de toneladas de milho, 1 milhão de toneladas de trigo,
além de 1,8
milhão de
toneladas
de
açúcar, produto que não foi incluído pelos europeus no acordo com os países do
Cone Sul.
Para André Nassar, diretor- executivo do Icone, o volume de cotas oferecido pela
UE é insuficiente, porque não gera ganhos reais de comércio aoi países do
Mercosul, mas apenas maiores margens para os produtores agrícolas do bloco.
Isso porque, na maioria dos produtos, a UE se limita a oferecer cotas para
volumes que o bloco do Cone Sul efetivamente
já
exporta para os europeus, apesar das altas tarifas estabelecidas no extra-cota.
Ou seja, na prática, não deve aumentar significativa- mente o volumes de
produtos agrícolas exportados por Brasil, Argentina, Uruguai e Paraguai para a
União Européia. Os produtores, no entanto, terão lucros maiores por conta das
menores tarifas.
“Esse é o momento de conseguir que os europeus melhorem sua oferta agrícola”,
avalia Nassar, referindo-se ao período crucial por que passam as negociações
entre os dois blocos comerciais. No início dejulho, acontece a última reunião do
Comitê de Negociações Biregionais (CNB), na qual os técnicos de ambos os lados
tentarão conseguir maiores concessões. Os europeus querem que os países do
Mercosul ampliem suas ofertas em serviços e ainda insistem no acesso a área de
compras governamentais. Esse último item é mais destinado ao Brasil.
Nassar se declara otimista com o processo e acredita que o acordo deve ser
concluído dentro do prazo, ou seja, até outubro. “Mas será um acordo de ambições
limitadas”, afirma o especialista, que participou ontem, em Ribeirão Preto, do
seminário “Oportunidades de Negócios e Barreiras ao Comércio Agrícola”,
organizado pela Fundação Getúlio Vargas, por Demarest
&
Almeida Advogados e pelo Valor.
Fonte: Jornal o Valor