Começa combate ao novo mal que ameaça a laranja


A cadeia citrícola paulista começa hoje, em Bebedouro, a traçar uma estratégia de combate à doençã popularmente conhecida como greening, que acaba de ser identificada, pela primeira vez, em pomares de laranja do Estado. Não se sabe qual o potencial destrutivo do mal, nem o montante que strá destinado para controlá-lo. -
Conhecida há décadas na Asia e na África, a doença é provocada por bactérias que habitam o sistema vascular da planta e é transmitido por um pequeno inseto. Mas, no setor, sua descoberta no Brasil era dada como certa há anos, uma vez que, em países como China e África do Sul, ela acompanhou a própria expansão da citricultura.
É por isso que hoje há dois tipos principais de greening, o asiático e o africano. As pesquisas realizadas até agora pelo Fundo de Defesã da Citricultura (Fundecitrus), com sede em Araraquara e mantido pela iniciativa privada, e pelo Centro Apta Citrus, de Cordeirópolis vinculado à Secretaria de Agricultira de São Paulo—, sinalizam que o setor pode estar diante de um terceiro tipo de greening. Que, se confinnado, deverá ser batizado como “brasileiro” ou “americano”.
Conforme Nelson Gimenez, secretário-executivo do Fundecitrus, a transmissão do mal foi identificada pela primeira vez na China, em 1956. Por isso seu nome científico é Huanglongbing, ou “doença

do dragão amarelo”. Um de seus principais sintomas é justamente o amarelecimento de folhas e, em alguns casos, da árvore inteira.
Para Gimenez, não há dúvida de que se trata deum novo tipo degreening. Marcos Machado, diretor do Centro Apta Citrus, chegou a apostar que a bactéria encontrada nas regiões de Araraquara e Avaré era a versão asiática do mal, mas ele próprio já admitia que poderia tratar- se de uma nova versão.
Para Machado, trata-se de um problema cujo controle químico é impossível, que não mata biologicamente a planta, mas extermina seu valor comercial.
“Ë mais um desafio, que terá de ser combatido com mudanças no manejo. A experiência de outros países vai nos ajudar nesse processo”, aflnna.
Gimenez sugere a eliminação obrigatória das plantas infectadas e aumento da fiscalização de viveiros e de mudas provenientes de outros Estados. Fm São Paulo, por lei, todos os viveiros têm de ser te- lados, e as especificidades das telas já evitam a passagem do inseto.
Ademerval Garcia, presidente do Fundecitrus e da Associação Brasileira dos Exportadores de Citricos (Abecitrus), acredita que a citricultura passará por mudanças radicais em função do aparecimento do greening, e nota que a doençajá deve estar incubada nos pomares paulistas há cinco anos.
Ele defende a participação dos governos estadual e federal no combate, e adverte para o aumento de custos de produção com ma nej

e inseticidas. Flávio Viegas, presidente da Associação Brasileira de Citricultores (Associtrus), pede a participação ativa das indústrias no processo de controle.
O greening aparece num momento em que a citricultura brasileira —que movimentou US$ 3,23 bilhóes em 2003
-— enfrenta outro

problema: a morte súbita dos citros, provavelmente provocado por vírus. O tema estará em pauta na instalação da CâmaraSetorialdaCitricultura, que reúne governo, produtores e indústrias, nesta sexta em Bebedouro. A venda das instalaçóes da Cargili no Brasil para Cutrale e Citrosuco também será discutido.

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