Senador dos EUA quer taxar, etanol da Cargill

Comérck
Tatiana Bautzer
De Washington
O Congresso dos Estados Unidos começou esta semana a tomar medidas contra a importação de etanol brasileiro para os EUA que seria feita pela americana Cargill. Aproveitando uma porta aberta pela legislação, a Cargill pretendia importar etanol brasileiro para desidratá-lo no Caribe e então reexportar para os EUA Dessa forma, o etanol brasileiro entraria naquele pais isento de tarifa de importação, beneficiando-se de um programa de ajuda do goveno americano a pequenos países da América Central e Caribe, chamado “Iniciativa para a Bacia Caribenha”.
A
Cargill anunciou em maio que construiria uma fábrica em El Salvador para esse propósito. Hoje os  EUA impõem uma taxa de US$ 0,54 por galão de etanol brasileiro, mais de 100% do preço FOB do produto, o que acaba inviabilizando a exportação brasileira, O custo americano de produção.de etanol é de US$1 por galão e o custo brasileiro, de US$0,50 por galão.
Produtores americanos de milho do Meio-Oeste vinham protestando contra a iniciativa da Cargi
ll. Cultura fortemente subsidiada nos EUA, o milho é a principal fonte para produção de etanol no país, o que resulta num custo mui- tomais alto do que a produção de etanol com base em cana. Cerca de 10% da produção de milho nos EUA está direcionada à produção de etanol (3 bilhões de galões anuais). Na quinta-feira, o senador republicano Chuck Grassley (Iowa), um dos líderes da “banca ruralista” no Senado, apresentou projeto de lei para garantir que etanol brasileiro desidratado no Caribe não tenha permissão de importação sem tarifas. Numa recente visita aos RIA do ministro do Desenvolvimento brasileiro, Luiz Femando Furlan, a importação de etanol foi discutida com o Departamento de Comércio, sem alusão, contudo, à iniciativa da Cargilt
Nos EUA, o mercado para etanol está crescendo em razão da adoção, por um maior número de Estados, de padrões de redução da poluição emitida por veículos. Grassley, que também é presidente do Comitê de Finanças do Senado, declarou ao propor o projeto de lei que há oportunidades de forte expansão da produção de etanol em seu estado e afi
rmou que “o que companhias americanas estão fazendo hoje mostra novamente que é uma má política permitir acesso sem tarifa ao mercado americano de etanol a um produto que é meramente desidratado no Caribe”.
A Cargill pretendia completar toda a cota permitida para a importação do produto com a nova fábrica em El Salvador, O máximo de importação permitido é de 7% do total da produção doméstica nos RIA. Mas como os produtores de milho estão elevando a oferta e recebendo mais subsídios, o teto permitido para importação de etanol brasileiro da fábrica salvadorenha tenderia a crescer a cada ano.
Grassley não foi o único a manifestar-se contra a iniciativa da Cargil. O líder democrata no Congresso, Tom Daschle, escreveu uma carta de protesto. O mesmo fez o senador Norm Coleman, republicano de Minnesota, Estado onde fi-, ca a sede da empresa.

 

Fonte: Jornal o Valor