China faz deságio da soja brasileira bater recordes
Alda
do Amaral Rocha e
Mônica Scaramuzzo
De
São Paulo
A rejeição de cargas de soja
brasileira pela China acentuou o deságio (chamado de prêmio negativo pelo
mercado) dos preços do produto em Paranaguá em relação às cotações da bolsa de
Chicago, levando-o para um nível recorde, segundo operadores.
O desconto, que tradicionalmente ocorre no primeiro semestre por causa da maior
oferta de soja decorrente da safra no Brasil, vinha acontecendo desdejaneiro
deste ano (ver gráfico). Mas teve um aumento abrupto quando a China
anunciou a recusa da soja brasileira após a descoberta. de sementes tratadas com
fungicida em algumas cargas do Brasil em maio deste ano.
O deságio médio que era de 115,24 centavos de dólar por bushel em abril em
relação ao preço de Chicago subiu para 162,14 centavos de dólar, em média, em
maio, segundo a Safras & Mercado. Na sexta-feira, o desconto atingiu 190
centavos de dólar e ontem ficou em 180 centavos de dólar, conforme a Safras.
De acordo com Flávio França Júnior, analista da Safras, as medidas tomadas pelo
governo paranaense restringido as exportações de soja transgênica em Paranaguá
foram as responsáveis pelo forte deságio do produto entre janeiro e abril deste
ano. Segundo ele, as restrições “tornaram mais lento o processo operacional do
porto, o que diminuiu aliquidez da soja brasileira”. As medidas chinesas só
serviram para piorar o quadro a partir de maio.
Renato Sayeg, diretor da Tetras Conetora, acrescenta que as restrições em
Paranaguá fizeram o porto começar a perder espaço para o de Santos. Entre
fevereiro e maio deste ano, os embarques de soja em Paranaguá ficaram em 1,316
milhão de toneladas. Em Santos, no mesmo período, foram embarcados 3,056 milhões
de toneladas. No mesmo penodo de 2003, Paranaguá escoou 2,877 milhões de
toneladas e, Santos, 2,476 milhões de toneladas.
A partir do mês de maio, lembrou Sayeg, os problemas com a China contribuíram
para intensificar os deságios. “Não é nenhuma novidade prêmios negativos para a
soja brasileira durante a safra, disse Sayeg.
O bom clima nos Estados Unidos para a soja americana também ajuda derrubar os
prêmios atuais, mesmo com a suspensão do embargo da China para a soja
brasileira. “Estamos a dois meses da colheita da soja nos EUA e as perspectivas
são de que não haverá problemas de produção.”
O prêmio, que pode ser positivo ou negativo, existe para ajustaros preços da
soja em relação a Chicago, levando em consideração aspectos como oferta, demanda
e custos logísticos.
Como os preços de Chicago refletem a situação do mercado americano, o prêmio
serve para ajustar as cotações em outras regiões de comercializa-o.
Um
operador que observa um
dos motivos para o maior descont
para a soja brasileira foi a recent forte alta dos preços em Chicagc Como a
valorização reflete uma si tilação local
—
aumento do consu monos EUA—, o
produto brasileir sofreu deságio. De acordo com ana listas, os atuais prémios
negativo estão bem acima da média históri que para o período oscila entre 70 80
centavos de dólar.
Mesmo com o recuo dos prêmio Sayeg pondera que os atuais preço dasojaFoB
Paranaguá, descontado os prémios negativos, estão equiJi brados com os patamares
do mes mo período do ano passado. Onten a soja em Paranaguá,já com descon to de
180 centavos de dólar, equiva lia aUS$ 6,275 porbushel.
Silmara Gailo, da Lucra Correto raafirma que as indicações são d prêmios
negativos para a soja n segundo semestre deste ano e tam bém em 2005 por causa
da proje ção de safra recorde nos Estado Unidos. A estimativa é de uma pro dução
de 80 milhões.
Fonte: Jornal O Valor.