Brasileiros estão otimistas sobre o camarao

Tatiana Bautzer e Raquel Landini De Washington e de São Paulo
O Departamento de Comércio dos EUA instituiu ontem sobreta,cas de até 112% para a importação de camarão da China e do Vietnã, que começarão a ser pagas por importadores no início do ano que vem. As importações, entretanto, á estarão sujeitas ao pagamento das sobretaxas em uma semana
—só o seu recolhimento
efetivo ocorrerá a partir de 8 de janeiro.
No Brasil, os representantes dos produtores brasileiros de camarão ficaram surpresos com a notícia,
mas fazem uma análise otimista Para Christopher Stokes, advogado do escritório Hogan &Haitsori, o Brasil pode ser até beneficiado pelo processo, dependendo das tarifas de importação aplicadas para o país, que serão anunciadas em 28 de julho. Em parceria com o escritório brasileiro Felsberg Associados, o Hogan & Hartson representa a Netuno, maior exportadora brasileira de camarões.
“As taxas adotadas, principalmente para o Vietnã, mostram que a metodologia do departamento pode ser razoável”, diz Stokes. “Parece que eles não querem nos retirar do mercado”, acrescenta.
A advogada Carolina Saldanlia, do Felsberg, explica que, geralmente, as taxas aplicadas para países comunistas como China e Vietnã são mais altas. Isso dá esperanças queatarifaparaoBrasilsejainfedor aos 20% aplicados aoVietnã.
Para Stokes, o Brasil pode acabar em posição confortável, porque seu produto se tomará mais competitivo que o chinês e o vietnamita no mercado americano. Além disso, os produtores brasileiros podem acabar se beneficiando de um aumento no preço do camarão nos Estados Unidos. “Mas tudo depende das tarifas que forem adotadas para o Brasil”, diz o advogado.
O relatório divulgado ontem pelo Departamento de Comércio norte-americano foi a primeira análise sobre antidumping para importações de camarão, considerando apenas economias “não de mercado” (com regime socialista). A taxa de antidumping é aplicada sobre o preço do produto para exportação (FOR) e é adicionada à aliquota nonnal de importação.
Na análise feita sobre as margens de lucro das empresas, o Departamento de Comércio estipulou, que as diferenças entre o preço ofertado no mercado eo”valorjusto” oscilaram entre 7,6% e 112,8%. A única empresa a ficar isenta é a produtora chinesa Zhangjiang Guolian Aquatic Products. A margem para importações chinesas de camarãoéde 112,8%,niasalguinas empresas têm taxas diferentes. A. Zhangjiang ficou isenta (taxa de apenas 0,04%), e a empresa Shan‘ tou Red Garden terá taxa de 7,67% sobre o valor do produto.
Outros dois produtores chineses estão em situação proibitiva, Allied Pacific Group (90,5%) eYelin
Enterprise de Flong Kong (98,3%). Há algumas empresas que por não ter participação do governo recebem uma taxa um pouco mais baixa, de 49,09%. “Isso tira os exportadores chineses do mercado americano”, diz Stokes. Para ele, um dos principais objetivos dos produtores de camarão do sul do país era atingir as importações chinesas.
Apesar das taxas altas para as importações gerais, Stokes ficou surpreso com o fato de algumas’ empresas chinesas ficarem isentas ou pagarem percentuais baixos. Não é possível saberse as empresas que conseguiram as menores taxas são grandes exportadoras ou não, porque os dados da investigação não são divulgados pelo Departamento do Comércio.
“É difícil tirar alguma conclusão sobre as taxas para o Brasil com base nas investigações sobre Vietnã e China, porque os critérios de apuração são diferentes para países cujas economias não são consideradas de mercado”, diz o assessor da embaixada de Washington para assuntos comerciais, Aloizio LimaCampos.
Para o Viet’nã, a taxa anti-dumping geral é de 93,13%. Algumas
empresas foram qualificadas para taxas variando entre 12% e 19%. Outras que não foram investigãdas mas se qualificam para uma taxa especial pagarão 16%. No ano passado, os EDA importaram 169 milhões de libras (75,6 mil toneladas) de camarão da China, totalizando US$ 419? milhões. Do Vietnã, forain importados 124,5 milhões de libras (564 mil toneladas) por IJS$ 587,7mflhões.
Em conversa com o ministro do Desenvolvimento, Luiz Fèrnando Furlari, o subsecretário do Comércio, GrantAldonas, abriuapossibilidade de uma “solução política” desde que o Brasil demonstrasse. mais esforço no combate à pirataria, que é a prioridade dos FIJA na relação comercial com o Brasil nos últimos meses.
O primeiro pedido para suspensão de importações de camarão foi feito no fim de 2003 por representantes de empresas pesqueiras dos estados do sul dos FilA. éo ano passado, o Brasil exportava cerca de 45% deuma produção de 60 mil toneladas de camaráo.A produção de camarão pelos Estados Unidos é insuficiente para a demanda e supre apenas 12% do mercado.