Cargill deixa o mercado de suco de laranja.

Gigante americana
vende seus ativos desse setor à Cutrale
e à Citrosuco
GUSTAVO PORTO
A Cargill, maior companhia americana de capital fechado dos Estados Unidos, há 40 anos no Brasil, anunciou ontem sua saída do mercado de suco de laranja no País e a venda de todos seus ativos para a Cutrale e a Citrosuco, as duas maiores empresas mundiais do setor, ambas de capital fechado e 100% nacional. Com a compra das unidades produtoras, as duas gigantes do suco de laranja concentrarão cerca de 70% do mercado processador brasileiro, o maior do planeta, que movimenta 80% das exportações mundiais e fatura US$ 1,5 bilhão por ano só com as operações brasileiras.
No Brasil, a Cargil
l fatura R$ 8,9 bilhões e atua nas áreas de nutrição alimentar, fertilizantes, cacau, farinha, óleos vegetais, amidos e
adoçantes, soja, aç
úcar e em óleos industriais e lubrificantes. A multinacional alegou questões estratégicas para a venda e nenhuma das empresas vai divulgar o valor do negócio, por se tratar de sigilo contratual.
Segundo o presidente da Cargil
l Brasil, Sergio Barroso, apesar de a decisão envolver a saída da empresa do mercado brasileiro de produção de laranjas e seu processamento, “ela reforça o foco da Cargill em estar alinhada no fornecimento de soluções e produtos inovadores para seus clientes globais.” Significa que a empresa valse concentrar no atendimento de clientes internacionais que desejam também bebidas à base de outros sucos de frutas ou néctares. “A Cargill saído Brasil para se posicionar mundialmente”, diz a gerente de Assuntos Corporativos da Cargill no Brasil, Maria Helena Miiessva. A empresa terá prioridade, por um período a ser definido, na compra do suco de laranja e na distribuição do produto das duas unidades no mercado europeu.
A Cutrale, que dividiu com a Citrosuco a compra dos ativos do setor de suco de laranja da Cargi
ll no Brasil, adotou uma postura ufanista para analisar o negócio. “A Cutrale é uma empresa nacional e a compra dos ativos é uma vitória do Brasil”, afirmou Marcos Moraes, diretor da empresa que passará a ter cinco unidades locais processadoras de suco, além de duas na Flórida (EUA).
“Sempre declaramos que somos compradores de ativos, desde que eles dêem continuidade ao nosso negócio”, disse o diretor-executivo da Citrosuco, Maurílio Lobo. A compra da unidade processadora de Bebedouro, na região norte do Estado de São Paulo, foi considerada estratégica pela Citrosuco. “Nós tínhamos até agora apenas fábricas em Matão, no centro, e em Limeira, no sul do Estado. Portanto, não há sobreposição no nosso negócio.”
Pelo acordo, a assumirá a unidade
processadora de Bebedouro, as fazendas produtoras de laranja São Vicente, em Comendador Gomes (MG), e Rio Cortado, em Cajobi (SP), além de um armazém frigorificado em Limeira. A Cutrale ficará com a unidade de Uchoa (SP) de processamento de suco de laranja, com as fazendas Vale Verde, em Planura (MG), e Portal, em Frutal (MG), além de um viveiro de mudas.Todos os bens das unidades ficarão com os novos proprietários e os 1.651 funcionários da Cargill serão mantidos, assim como os contratos já feitos com produtores de laranja para o fornecimento, de acordo com informações da Cutrale e da Citrosuco. (Colaborou Vera Dantas)

Font: Jornal o Valor.